Gemidos de um moribundo rio.

11 de ago. de 2026

 Quando os braços da Ibéria, em seus gestos profundos, tiravam do mistério os oceanos e os mundos, mergulhando no mar ou investindo o sertão, espalhavam também nas terras inocentes a injustiça, a maldade, as vermelhas sementes da seara de Caim que apertavam na mão.

​As primeiras sementes de gado jogadas nas terras nordestinas vieram em navios portugueses. Desceram nas nascentes, na Vila do Recife, no ano de 1536, e anos depois, trazidas por Tomé de Souza, primeiro governador-geral do Brasil, em Salvador, no ano de 1549. O gado, que no princípio tinha a função de puxar o arado e fazer girar o engenho da cana-de-açúcar, logo espalhou-se sertões adentro, fazendo nascer a civilização do couro.

​Esta história ficou registrada em dois sertões: o "sertão de fora", que, beirando o litoral nordestino do Recife, chegou ao rio Jaguaribe, adentrando a nossa caatinga, seguindo o grande rio seco até as fronteiras com o Piauí, na Serra dos Inhamuns, onde se formaram os primeiros currais, laboratórios do nosso primeiro vaqueiro e de nossas atuais cidades. Já os "sertões de dentro" tiveram seu nascedouro na Casa da Torre, na Bahia, bastião dos D'Ávila, que, seguindo a trilha aberta pelo gado na mata brava da caatinga, chegaram ao rio São Francisco, logo apelidado de "rio dos currais".

​Foi esta economia que, por mais de 300 anos, garantiu a carne, o sebo e o couro nas grandes plantações de cana-de-açúcar do Nordeste, abastecendo nosso Brasil até as distantes terras de Minas Gerais. Outros dois rios serviram de portas para que os sertões de dentro entrassem no Ceará: o rio do Peixe e o riacho do Figueiredo.

​Essa economia que prevaleceu por mais de 300 anos foi esquecida enquanto história, enquanto economia, e sem nenhum respeito o rio hoje agoniza.

​O gigante que outrora guiou os passos de vaqueiros e abriu as picadas da civilização do couro agora curva-se, humilhado, diante da modernidade que ele mesmo ajudou a parir. No Alto Jaguaribe, onde a caatinga um dia viu brotar a vida e a riqueza dos primeiros currais, o que corre hoje não é mais o pulsar da sobrevivência, mas o rastro cinzento da nossa própria negligência.

​O leito que já foi de areias claras e águas sazonais transformou-se em um depósito de carcaças plásticas, lixo e esgoto a céu aberto. As águas que lavaram o couro e saciaram a sede dos pioneiros agora carregam o fétido silêncio do descaso urbano. É um parricídio geográfico: as cidades que nasceram de suas margens são as mesmas que hoje o sufocam, despejando nele os seus rejeitos, como se o Jaguaribe fosse um túmulo sem nome, e não o pai de nossa história.

​Matar o Jaguaribe é apagar a nossa própria memória. Deixar que ele corra como um fio de esgoto pelo sertão é ignorar o clamor das nossas origens, permitindo que as cinzas do esquecimento soterrem o rio que um dia foi o sangue da nossa terra. Se o Jaguaribe calar de vez, o Ceará perderá não apenas um rio, mas a sua própria alma.

As obras do Governo Federal do senhor presidente Getúlio Vargas iniciadas durante a seca de 1932 quando o ministro da agricultura era o capitão Juarez Távora nascido nas terras da cidade de Jaguaribe, que beneficiou sertão cearense com o açude do feiticeiro no Jaguaribe. Com o açude de Lima Campos no Icó e com as imensas obras de canais de irrigação no Iguatu desde o ministério da agricultura no Bugi e passando pelo folheto agrícola pela vila operária Valdemar de Carvalho e pelo campo de irrigação Fenelon Lima, todas as margens do nosso Grande Rio hoje estão em completa ruína. Sem contar que o ano de 1933 chegou ao Iguatu o próprio presidente da república do Brasil, o senhor Getúlio Vargas para conhecer as obras iniciadas no seu governo no combate à seca e pela fixação do homem no sertão. Através da ferrovia, que aqui chegou em 1910. E mesmo com a ferrovia e com esses canais de irrigação. o Iguatu que era para ter dado um grande salto economicamente falando porque nós tínhamos terra 101000 hectares de terra plana. Faltando ficando a desculpa

O Iguatu que em 1910 já tínhamos a ferrovia e que segundo o doutor Alejandro de Barros juiz de direito que aqui chegou em 1905, ficando até 1915, fugindo daqui na grande seca, já afirmava que o Iguatu era um imenso pântano e que nas suas grandes cheias o rio Jaguaribe nivelava todas as lagoas ficando a descoberto alguns poucos altos como do Cocobó e o da matriz ou seja, 101000 ha de terraplanas e uma dezena de lagoas que. Eu não podia muito bem ser irrigadas com canais tornando-as criatórios de peixe, de camarão e o Iguatu pode ainda hoje tornar-se na maior indústria pesqueira do Nordeste brasileiro, pode tornar-se com a perenização dessas lagoas a Veneza do sertão e com 101000 hectares de terras planas perfeitamente irrigáveis, portanto cultivados, é isso que nós temos hoje com a transnordestina, cortando as entranhas do nosso sertão. Por porque o mar como deserto não tem estrada, mas tem rumo, portanto nós poderemos negociar a produção agrícola e pesqueira do nosso Iguatu com todo o mundo é isso que tem que ser dito porque nós temos terra água com a transposição de águas do São Francisco para o rio Jaguaribe, e temos a tecnologia nova que é justamente a energia solar, a energia a energia eólica e tantas outras, essa é a única saída verdadeiramente importante para o homem sertanejo para o  Iguatuense e para a grandeza de todos nós enquanto sertão.

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