Quando os braços da Ibéria, em seus gestos profundos, tiravam do mistério os oceanos e os mundos, mergulhando no mar ou investindo o sertão, espalhavam também nas terras inocentes a injustiça, a maldade, as vermelhas sementes da seara de Caim que apertavam na mão.
As primeiras sementes de gado jogadas nas terras nordestinas vieram em navios portugueses. Desceram nas nascentes, na Vila do Recife, no ano de 1536, e anos depois, trazidas por Tomé de Souza, primeiro governador-geral do Brasil, em Salvador, no ano de 1549. O gado, que no princípio tinha a função de puxar o arado e fazer girar o engenho da cana-de-açúcar, logo espalhou-se sertões adentro, fazendo nascer a civilização do couro.
Esta história ficou registrada em dois sertões: o "sertão de fora", que, beirando o litoral nordestino do Recife, chegou ao rio Jaguaribe, adentrando a nossa caatinga, seguindo o grande rio seco até as fronteiras com o Piauí, na Serra dos Inhamuns, onde se formaram os primeiros currais, laboratórios do nosso primeiro vaqueiro e de nossas atuais cidades. Já os "sertões de dentro" tiveram seu nascedouro na Casa da Torre, na Bahia, bastião dos D'Ávila, que, seguindo a trilha aberta pelo gado na mata brava da caatinga, chegaram ao rio São Francisco, logo apelidado de "rio dos currais".
Foi esta economia que, por mais de 300 anos, garantiu a carne, o sebo e o couro nas grandes plantações de cana-de-açúcar do Nordeste, abastecendo nosso Brasil até as distantes terras de Minas Gerais. Outros dois rios serviram de portas para que os sertões de dentro entrassem no Ceará: o rio do Peixe e o riacho do Figueiredo.
Essa economia que prevaleceu por mais de 300 anos foi esquecida enquanto história, enquanto economia, e sem nenhum respeito o rio hoje agoniza.
O gigante que outrora guiou os passos de vaqueiros e abriu as picadas da civilização do couro agora curva-se, humilhado, diante da modernidade que ele mesmo ajudou a parir. No Alto Jaguaribe, onde a caatinga um dia viu brotar a vida e a riqueza dos primeiros currais, o que corre hoje não é mais o pulsar da sobrevivência, mas o rastro cinzento da nossa própria negligência.
O leito que já foi de areias claras e águas sazonais transformou-se em um depósito de carcaças plásticas, lixo e esgoto a céu aberto. As águas que lavaram o couro e saciaram a sede dos pioneiros agora carregam o fétido silêncio do descaso urbano. É um parricídio geográfico: as cidades que nasceram de suas margens são as mesmas que hoje o sufocam, despejando nele os seus rejeitos, como se o Jaguaribe fosse um túmulo sem nome, e não o pai de nossa história.
Matar o Jaguaribe é apagar a nossa própria memória. Deixar que ele corra como um fio de esgoto pelo sertão é ignorar o clamor das nossas origens, permitindo que as cinzas do esquecimento soterrem o rio que um dia foi o sangue da nossa terra. Se o Jaguaribe calar de vez, o Ceará perderá não apenas um rio, mas a sua própria alma.
As obras do Governo Federal do senhor presidente Getúlio Vargas iniciadas durante a seca de 1932 quando o ministro da agricultura era o capitão Juarez Távora nascido nas terras da cidade de Jaguaribe, que beneficiou sertão cearense com o açude do feiticeiro no Jaguaribe. Com o açude de Lima Campos no Icó e com as imensas obras de canais de irrigação no Iguatu desde o ministério da agricultura no Bugi e passando pelo folheto agrícola pela vila operária Valdemar de Carvalho e pelo campo de irrigação Fenelon Lima, todas as margens do nosso Grande Rio hoje estão em completa ruína. Sem contar que o ano de 1933 chegou ao Iguatu o próprio presidente da república do Brasil, o senhor Getúlio Vargas para conhecer as obras iniciadas no seu governo no combate à seca e pela fixação do homem no sertão. Através da ferrovia, que aqui chegou em 1910. E mesmo com a ferrovia e com esses canais de irrigação. o Iguatu que era para ter dado um grande salto economicamente falando porque nós tínhamos terra 101000 hectares de terra plana. Faltando ficando a desculpa
O Iguatu que em 1910 já tínhamos a ferrovia e que segundo o doutor Alejandro de Barros juiz de direito que aqui chegou em 1905, ficando até 1915, fugindo daqui na grande seca, já afirmava que o Iguatu era um imenso pântano e que nas suas grandes cheias o rio Jaguaribe nivelava todas as lagoas ficando a descoberto alguns poucos altos como do Cocobó e o da matriz ou seja, 101000 ha de terraplanas e uma dezena de lagoas que. Eu não podia muito bem ser irrigadas com canais tornando-as criatórios de peixe, de camarão e o Iguatu pode ainda hoje tornar-se na maior indústria pesqueira do Nordeste brasileiro, pode tornar-se com a perenização dessas lagoas a Veneza do sertão e com 101000 hectares de terras planas perfeitamente irrigáveis, portanto cultivados, é isso que nós temos hoje com a transnordestina, cortando as entranhas do nosso sertão. Por porque o mar como deserto não tem estrada, mas tem rumo, portanto nós poderemos negociar a produção agrícola e pesqueira do nosso Iguatu com todo o mundo é isso que tem que ser dito porque nós temos terra água com a transposição de águas do São Francisco para o rio Jaguaribe, e temos a tecnologia nova que é justamente a energia solar, a energia a energia eólica e tantas outras, essa é a única saída verdadeiramente importante para o homem sertanejo para o Iguatuense e para a grandeza de todos nós enquanto sertão.







